quarta-feira, 27 de abril de 2011

Do Meu Deus

Uma frase ateia que pretende afirmar que o homem criou Deus e não Deus criou o homem.
"Se um dia os triângulos tiverem um deus, este terá três lados"

Gosto da frase, a acho simpática. Mas o que estas pessoas não compreendem é que, é de Deus que vem o desejo de conhecê-lo, a necessidade que o homem tem de Deus. é uma necessidade plantada por Deus, ele não fez isto com nenhum outro animal, nem os macacos nem os golfinhos carregam insatisfação por ignorar Deus.

Se um dia Deus plantar nos triângulos o desejo de conhecê-lo, eles o buscarão e então descobrirão que foram criados com três lados, porque seu Deus os amava e os queria como imagem sua.

O Certo e o Errado

1. A LEI DA NATUREZA HUMANA
Todo o mundo já viu pessoas discutindo. Às vezes, a discussão soa engraçada; em outras, apenas desagradável. Como quer que soe, acredito que podemos aprender algo muito importante ouvindo os tipos de coisas que elas dizem. Dizem, por exemplo: "Você gostaria que fizessem o mesmo com você?"; "Desculpe, esse banco é meu, eu sentei aqui primeiro"; "Deixe-o em paz, que ele não lhe está fazendo nada de mal"; "Por que você teve de entrar na frente?"; "Dê-me um pedaço da sua laranja, pois eu lhe dei um pedaço da minha"; e "Poxa, você prometeu!" Essas coisas são ditas todos os dias por pessoas cultas e incultas, por adultos e crianças.

O que me interessa em todos estes comentários é que o homem que os faz não está apenas expressando o quanto lhe desagrada o comportamento de seu interlocutor; está também fazendo apelo a um padrão de comportamento que o outro deveria conhecer. E esse outro raramente responde: "Ao inferno com o padrão!" Quase sempre tenta provar que sua atitude não infringiu este padrão, ou que, se infringiu, ele tinha uma desculpa muito especial para agir assim. Alega uma razão especial, em seu caso particular, para não ceder o lugar à pessoa que ocupou o banco primeiro, ou alega que a situação era muito diferente quando ele ganhou aquele gomo de laranja, ou, ainda, que um fato novo o desobriga de cumprir o prometido. Está claro que os envolvidos na discussão conhecem uma lei ou regra de conduta leal, de comportamento digno ou moral, ou como quer que o queiramos chamar, com a qual efetivamente concordam. E eles conhecem essa lei. Se não conhecessem, talvez lutassem como animais ferozes, mas não poderiam "discutir" no sentido humano desta palavra. A intenção da discussão é mostrar que o outro está errado. Não haveria sentido em demonstrá-lo se você e ele não tivessem algum tipo de consenso sobre o que é certo e o que é errado, da mesma forma que não haveria sentido em marcar a falta de um jogador de futebol sem que houvesse uma concordância prévia sobre as regras do jogo.

Ora, essa lei ou regra do certo e do errado era chamada de Lei Natural. Hoje em dia, quando falamos das "leis naturais", quase sempre nos referimos a coisas como a gravitação, a hereditariedade ou as leis da química. Porém, quando os pensadores do
passado chamavam a lei do certo e do errado de "Lei Natural", estava implícito que se tratava da Lei da Natureza Humana. A ideia era a seguinte: assim como os corpos são regidos pela lei da gravitação, e os organismos, pelas leis da biologia, assim também a criatura chamada "homem" possui uma lei própria - com a grande diferença de
que os corpos não são livres para escolher se vão obedecer à lei da gravitação ou não, ao passo que o homem pode escolher entre obedecer ou desobedecer à Lei da Natureza Humana.

Examinemos a questão sob outro prisma. Todo homem está continuamente sujeito a diversos conjuntos de leis, mas a apenas um ele é livre para desobedecer. Enquanto corpo, ele é regido pela gravitação e não pode desobedecê-la; se ficar suspenso no ar, sem apoio, fatalmente cairá como cairia uma pedra. Enquanto organismo, está sujeito a diversas leis biológicas, às quais, como os animais, não pode desobedecer. Em outras palavras, o homem não pode desobedecer às leis que tem em comum com os outros seres; mas a lei própria da natureza humana, a lei que não é compartilhada nem pelos animais, nem pelos vegetais, nem pelos seres inorgânicos, a esta
lei o ser humano pode desobedecer, se assim quiser. Essa lei era chamada de Lei Natural porque as pessoas pensavam que todos a conheciam naturalmente e não precisavam que outros a ensinassem. Isso, evidentemente, não significava que não se pudesse encontrar, aqui e ali, um indivíduo que a ignorasse, assim como existem
indivíduos daltônicos ou desafinados. Considerando a raça humana em geral, no entanto, as pessoas pensavam que a ideia humana de comportamento digno ou decente era óbvia para todos. E acredito que essas pessoas tinham razão. Se assim não fosse, as coisas que dizemos a respeito da guerra não teriam sentido nenhum. Se o Certo não for uma entidade real, que os nazistas, lá no fundo, conhecem tão bem quanto nós e têm o dever de praticar, qual o sentido de dizer que o inimigo está errado? Se eles não têm nenhuma noção daquilo que chamamos de Certo, talvez tivéssemos de combatê-los do mesmo jeito, mas não poderíamos culpá-los pelas suas ações, da mesma forma que não podemos culpar um homem por ter nascido com os cabelos louros ou castanhos.

Sei que certas pessoas afirmam que a ideia de uma Lei Natural ou lei de dignidade de comportamento, conhecida de todos os homens, não tem fundamento, porque as diversas civilizações e os povos das diversas épocas tiveram doutrinas morais muito diferentes.

Mas isso não é verdade. E certo que existem diferenças entre as doutrinas morais dos diversos povos, mas elas nunca chegaram a constituir algo que se assemelhasse a uma diferença total. Se alguém se der ao trabalho de comparar os ensinamentos morais dos antigos egípcios, dos babilônios, dos hindus, dos chineses, dos gregos e dos romanos, ficará surpreso, isto sim, com o imenso grau de semelhança que eles têm entre si e também com nossos próprios ensinamentos morais. Reuni alguns desses dados concordantes no apêndice que escrevi para um outro livro, chamado The Abolition of Man [A abolição do homem]. Porém, para os fins que agora temos em vista, basta perguntar ao leitor como seria uma moralidade totalmente diferente da que conhecemos.
Imagine um país que admirasse aquele que foge do campo de batalha, ou em que um homem se orgulhasse de trair as pessoas que mais lhe fizeram bem. O leitor poderia igualmente imaginar um país em que dois e dois são cinco. Os povos discordaram a respeito de quem são as pessoas com quem você deve ser altruísta - sua família, seus compatriotas ou todo o género humano; mas sempre concordaram em que você não deve colocar a si mesmo em primeiro lugar. O egoísmo nunca foi admirado. Os homens divergiram quanto ao número de esposas que podiam ter, se uma ou quatro; mas sempre concordaram em que você não pode simplesmente ter qualquer mulher que lhe apetecer.
O mais extraordinário, porém, é que, sempre que encontramos um homem a afirmar que não acredita na existência do certo e do errado, vemos logo em seguida este mesmo homem mudar de opinião. Ele pode não cumprir a palavra que lhe deu, mas, se você fizer a mesma coisa, ele lhe dirá "Não é justo!" antes que você possa dizer "Cristóvão Colombo". Um país pode dizer que os tratados de nada valem; porém, no momento seguinte, porá sua causa a perder afirmando que o tratado específico que pretende romper não é um tratado justo. Se os tratados de nada valem, se não existe um certo e um errado — em outras palavras, se não existe uma Lei Natural -, qual a diferença entre um tratado justo e um injusto? Será que, agindo assim, eles não deixam o rabo à mostra e demonstram que, digam o que disserem, conhecem a Lei Natural tanto quanto qualquer outra pessoa? Parece, portanto, que só nos resta aceitar a existência de um certo e um errado. As pessoas podem volta e meia se enganar a respeito deles, da mesma forma que às vezes erram numa soma; mas a existência de ambos não depende de gostos pessoais ou de opiniões, da mesma forma que um cálculo errado não invalida a tabuada.
(C.S.Lewis- Cristianismo puro e simples)

quarta-feira, 30 de março de 2011

Não tinham nem uma coisa nem outra

Tudo o que eu até então ouvira sobre a teologia cristã me alienara dela. Eu era pagão aos doze anos de idade e um perfeito agnóstico aos dezesseis; e não posso entender ninguém que ultrapasse os dezessete anos sem ter-se feito uma pergunta tão simples. Eu retive, de fato. uma obscura reverência por uma deidade cósmica e um grande interesse histórico pelo Fundador do cristianismo. Mas certamente o via como um homem; embora talvez achasse que, mesmo sob esse aspecto, ele levasse vantagem sobre alguns de seus críticos modernos.
Li a literatura cética e científica do meu tempo — tudo nesse campo, pelo menos tudo o que pude encontrar em língua inglesa ao alcance de minhas mãos; e não li mais nada; quero dizer, mais nada de qualquer outro cunho filosófico. As obras sensacionalistas que também li pertenciam de fato a uma tradição heroica e sadia do cristianismo; mas eu não sabia disso naquele tempo. Nunca li uma linha de apologética cristã. Leio o menos possível disso atualmente.
Foram Huxley, Herbert Spencer e Bradlaugh que me trouxeram de volta à teologia ortodoxa. Eles me semearam na mente as primeiras fortes dúvidas da dúvida. Nossas avós estavam muito certas quando diziam que Tom Paine e os livres-pensadores perturbavam a cabeça. Perturbavam mesmo. Perturbaram a minha de um modo horrível. O racionalista me fez perguntar se a razão tinha alguma utilidade qualquer; e, quando terminei Herbert Spencer, eu já fora tão longe que duvidei (pela primeira vez na vida) se a evolução havia sequer acontecido. Quando depus a última das palestras ateias do Coronel Ingersoll, irrompeu o terrível pensamento: 'Tu quase me persuadiste a ser cristão". Eu o era de um modo desesperado.
Esse estranho efeito dos grandes agnósticos despertando dúvidas mais profundas do que aquelas que eles mesmos alimentavam poderia ser ilustrado de muitas maneiras. Tomo apenas uma. A medida que eu lia e relia todas as explicações não-cristãs ou anticristãs da fé, de Huxley a Bradlaugh, uma lenta e terrível impressão se formava gradativa mas graficamente em minha cabeça — a impressão de que o cristianismo deve ser maximamente extraordinário. Pois ele, no meu modo de entender, não só tinha os vícios mais ardentes, mas aparentemente tinha um talento místico para combinar vícios que pareciam incompatíveis entre si.
O cristianismo era atacado de todos os lados e por todas as razões contraditórias. Mal um racionalista acabara de demonstrar que ele pendia demais para o oriente, outro demonstrava com igual clareza que ele pendia demais para o ocidente. Mal a minha indignação se arrefecera diante de sua configuração quadrada angular e agressiva, minha atenção era novamente chamada para observar e condenar sua irritante natureza redonda e sensual. Caso algum leitor não tenha percebido aquilo de que estou falando, vou dar aleatoriamente os exemplos de que me lembro para ilustrar a contradição interna dos ataques dos céticos. Apresento quatro ou cinco casos; tenho mais cinquenta.
Assim, por exemplo, eu me comovia muito com o eloquente ataque contra o cristianismo pelo seu pessimismo desumano; pois eu pensava (e ainda penso) que o pessimismo sincero é o pecado que não tem perdão. Um pessimismo insincero é um refinamento social, mais agradável que desagradável; e felizmente quase todo pessimismo é insincero.
Mas se o cristianismo era, como essas pessoas diziam, algo puramente pessimista que se opunha à vida, então eu estava perfeitamente preparado para explodir a Catedral de São Paulo em Londres. O fato, porém, extraordinário era o seguinte: Eles me provavam no Capítulo 1, para minha plena satisfação, que o cristianismo era demasiado pessimista; e depois, no Capítulo 2, começavam a me provar que ele era, em grande parte, otimista demais. Uma acusação contra o cristianismo dizia que ele, com suas mórbidas lágrimas e terrores, impedia que os homens buscassem a alegria e a liberdade no seio da natureza. Mas outra acusação era que ele confortava os homens com uma providência fictícia, e os situava num mundo cor-de-rosa e branco.
Um grande agnóstico perguntava por que a natureza não era suficientemente bonita, e por que era difícil ser livre. Outro grande agnóstico objetava que o otimismo cristão, "o manto do faz-de-conta tecido por mãos piedosas", escondia de nós o fato de que a natureza era feia, e era impossível ela ser livre. Um racionalista mal terminara de chamar o cristianismo de pesadelo, e outro já começava a chamá-lo de falso paraíso.
Isso me intrigava; as acusações pareciam inconsistentes. O cristianismo não podia ser, ao mesmo tempo, a máscara negra de um mundo branco, e também a máscara branca de um mundo negro. A condição do cristão no mundo não podia ser, ao mesmo tempo, tão confortável que era uma covardia agarrar-se a ela, e tão desconfortável que era uma loucura suportá-la. Se o cristianismo falsificava a visão humana, devia falsificá-la de um jeito ou de outro; ele não podia usar óculos que eram verdes e também cor-de-rosa. Eu saboreei com alegria enorme, como fizeram todos os jovens daquela época, os sarcásticos insultos desferidos por Swinburne contra a insipidez do credo...


Tu conquistaste, ó pálido Galileu; o mundo com teu hálito assumiu a cor cinza.

Mas quando eu li as explicações do paganismo dadas pelo mesmo poeta (como, por exemplo, em "Atalanta"), concluí que, possivelmente, antes de o Galileu respirar sobre ele, o mundo era ainda mais cinza. De fato, o poeta defendia, em abstrato, que a vida em si era negra como o breu. E, mesmo assim, o cristianismo de algum modo a obscurecera. O mesmo homem que acusava o cristianismo de pessimismo era ele também um pessimista. Achei que devia haver algo de errado nisso. E por um louco instante passou-me pela cabeça que os melhores juízes para julgar a relação da religião com a felicidade talvez não fossem aqueles que, segundo seus próprios relatos, não tinham nem uma coisa nem outra.
(Chesterton; Ortodoxia)

terça-feira, 29 de março de 2011

O "Nada" Sagrado

Em apois aos neo ateus.
Os adoradores do "nada" sagrado seguirão em procissão pela ruas da cidade carregando, "nada", todos os seguidores de coisa nenhuma estão convocados, após a procisão haverá um ato de desagravo pela ofensas que "nada" tem recebido.

As leis do país protegem qualquer deus, mas deixam "nada" de lado, eles se esquecem que antes de qualquer deus, nada existia. Todos os homens que tem sua dignidade, sua honradez, seu carater baseados em nada devem estar vigilantes para que nada fique em pé em nossa sociedade.

Tem havido nos meio de comunicação muita confusão e muitas vezes dizem que nada é coisa nenhuma, mas é preciso afirmar a anterioridade de nada, e basta fechar os olhos para poder afirmar que nada existe. Para aqueles que afirmam que não acreditamos em nada, deixamos bem claro que acreditamos sim. Nada prevalecerá.
E finalmente, que fique bem claro que em nossa pregação nada merece respeito.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Bule Voador

A elaboração feita por Russel sobre um bule voador é muito interessante, mas convenhamos que se um "Bule Voador" pudesse ser tão ativo no coração da humanidade, e se Russel mentiu, eu mesmo daria um jeito de colocar em órbita, um jogo de jantar completo.

"Muitos indivíduos ortodoxos dão a entender que é papel dos céticos refutar os dogmas apresentados – em vez dos dogmáticos terem de prová-los. Essa ideia, obviamente, é um erro. De minha parte, poderia sugerir que entre a Terra e Marte há um Bule de Chá de porcelana girando em torno do Sol em uma órbita elíptica, e ninguém seria capaz de refutar minha asserção, tendo em vista que teria o cuidado de acrescentar que o Bule de Chá é pequeno demais para ser observado mesmo pelos nossos telescópios mais poderosos. Mas se afirmasse que, devido à minha asserção não poder ser refutada, seria uma presunção intolerável da razão humana duvidar dela, com razão pensariam que estou falando uma tolice. Entretanto, se a existência de tal Bule de Chá fosse afirmada em livros antigos, ensinada como a verdade sagrada todo domingo e instilada nas mentes das crianças na escola, a hesitação de crer em sua existência seria sinal de excentricidade e levaria o cético às atenções de um psiquiatra, numa época esclarecida, ou às atenções de um inquisidor, numa época passada." (Russel)



O "Bule Voador" realmente existe!

Ele foi crido por índios americanos que deram a ele nomes e varias personalidades, dedicaram cultos e acreditaram nele. Ninguém precisou dizer que havia colocador o "Bule" em qualquer órbita. Acreditando que os sofrimentos da vida fossem causados pelo temperamento instável do "Bule Voador", extremaram-se até em sacrifícios, podemos julgá-los errados ou podemos dizer que acreditaram no "bule Voador" errado, mas não podemos dizer que não viveram com a certeza de sua existência.

Os pagãos abundaram em "Bules Voadores", e de muitas formas o cultuaram, seus ritos muitas vezes incompreensíveis aos não iniciados, carregavam definições milenares de contatos com estes "Bules Voadores", que tanta influência em suas vidas exercia.

Os Gregos, até destinavam um lugar sagrado aos seus "Bules Voadores", talvez fizesse parte de sua crença que um dia, cansado de orbitar corpos celestes, o "Bule Voador" sentaria no olimpo.

Os habitantes da ilha da páscoa, os aborígenes da Oceania, os caldeus na Mesopotâmia, os Egípcios seguindo o rio Nilo, todos podem não ter visto o "Bule Voador" mas jamais duvidaram de sua existência, os povos nórdicos tinham até "Bule Voador" com martelo.

E os Judeus? Sempre acreditaram que seu "Bule Voador", voava por eles e assim viveram e vivem a milhares de anos, pode ser que todo o contato que diziam ter com seu "Bule Voador" fosse ilusão, desespero e desejo, mas este "Bule Voador" que jamais viram foi sempre sem dúvida determinante na história deste povo e não foi preciso descobrir quem colocou o "Bule Voador" a voar.

Eu jamais pedira que russel provasse sua história do "Bule Voador", se sua existência fosse a única explicação plausível, do porquê tantos povos distantes no tempo e no espaço, desejassem chá de um mesmo bule.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Ateus

…sou cristão.

Os agnósticos, afirmam que Deus não pode ser conhecido pela razão, portanto, seria um Deus tão inútil, que tanto faz existir ou não existir.

Alguns ateus cobram dos crentes e de um possível Deus, a falta de interação com o mundo.

O sofrimento, conjunto de casos e acasos que afetam o ser humano de forma negativa, é motivador de livros e explicações complicadas e gerador tanto de grupos de ateus quanto de multidões de seitas.

O sofrimento injustificado quando intenso, daqueles que nos joga no chão e do qual não vemos saída, nos faz perguntar porquê?… E isto nem importa se cremos que exista algo supernatural, e mesmo não acreditando que tenhamos a quem fazer a pergunta, ainda assim, quando a dor nos impede de continuar, desejamos saber que fizemos de errado, e sofremos… Porquê?…

Ouvi falar de pessoas que nunca sofreram, ou que quando isto aconteceu foram até magnânimas, aceitaram o sofrimento tal qual um oriental, dizendo --é assim mesmo que tem que ser, jamais se revoltou contra o céu, por que o céu jamais existiu. Um verdadeiro ateu, creio eu, seria aquele que se estivesse pintando a sua casa e percebendo um tsunami se aproximando, sem condição de fuga, continuaria sua tarefa, nada o faria olhar para o céu e pensar como poderia ser diferente. É uma forma de vida estranha, mas é uma forma de vida.

Mas é interessante que os ateus com quem já conversei, não são pessoas resignadas com o destino, são combativas, quase sempre são ateus, não por preferirem que Deus não exista, mas por não aceitarem um Deus que acreditam omisso.

Para os Cristãos, disse Cristo, pedi e será dado… mas a única coisa que se pode pedir é a fé, o mais estranho seria qualquer não crente pedindo a fé, tão estranho quanto um crente pedindo fé, esta dificuldade é tão clara que nas bem aventuranças (Bíblia), Cristo relaciona, não pessoas, mas condições humanas que levam uma pessoa a pedir a fé: felizes os pobres de espirito; felizes os que choram; felizes os perseguidos; e outros.

Se eu creio em Deus, se eu aceito que a razão humana não tem como conhecer Deus, a iniciativa de tornar-se conhecido tem que ser dEle. A fé não paga minhas contas, não aumenta a nota na escola, não me faz mais bonito, mas permite que mesmo que meus defeitos e sofrimentos ainda existam, que eles não sejam impecílhos para minha felicidade.

Os homens de fé, conhecidos com santos, foram pessoas felizes por que em algum momento de sua vida aceitaram a fé, eles não foram felizes porque sua fé os levou a procurar uma morte muitas vezes prematura e horrível, mas a fé os tornou felizes, e para não abdicar de sua fé não fugiram, mesmo de uma morte prematura e horrível.
Um homem de fé não procura a morte, mas não a considera tão importante assim.

Eu acredito que Deus exista…

Os ateus dizem ter certeza que Ele não existe, mas eles querem saber, porque Ele deixa estas desgraças acontecerem…

Se Ele não existe, é preciso que seja feita alguma coisa para minorar o sofrimento de pessoas sofredoras em volta do mundo… porquê?

Precisamos ser submissos a algum código de ética determinado por não sei quem?

Que motivo elevado nos faria aceitar sacrifícios próprios em benefício de quem jamais obteremos retorno?

Se não fizermos nada para ajudar quem quer que seja, isto significaria algum demérito? frente a que?

Se sabemos que tudo acontece como tem que acontecer, que o acaso deverá conduzir e/ou destruir toda a vida, que justificativa nós poderíamos ter para interferir com a sina de quem quer que seja e com isto prejudicar nossa própria sina? Sacrificar-me por nada??????

O sofrimento como vemos, não garante a ausência de Deus no mundo, mas a nossa passividade, garante a falta de Deus em Nós.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Monotonia

Excerto de Ortodoxia de G.K.Chesterton


Mas talvez Deus seja forte o suficiente para exultar na monotonia. E possível que Deus todas as manhãs diga ao sol: "Vamos de novo"; e todas as noites à lua: "Vamos de novo". Talvez não seja uma necessidade automática que torna todas as margaridas iguais; pode ser que Deus crie todas as margaridas separadamente, mas nunca se canse de criá-las. Pode ser que ele tenha um eterno apetite de criança; pois nós pecamos e ficamos velhos, e nosso Pai é mais jovem do que nós. A repetição na natureza pode não ser mera recorrência; pode ser um bis teatral. O céu talvez peça bis ao passarinho que botou um ovo.

Se o ser humano concebe e dá à luz uma criança e não um peixe, ou morcego, ou grifo, a razão talvez não seja o fato de estarmos presos num destino animal sem vida ou propósito. Pode ser que nossa pequena tragédia tenha emocionado os deuses; pode ser que eles a apreciem de seus camarotes estrelados; pode ser que no fim de cada drama humano o homem seja chamado repetidas vezes a voltar ao palco. A repetição pode continuar por milhões de anos, por mera escolha, e a qualquer instante pode parar. O ho­mem pode permanecer sobre a terra geração após geração, e, no entanto, cada nascimento pode definitivamente ser sua última aparição.

Essa foi minha primeira convicção; criada pelo choque de minhas emoções infantis com o credo moderno, sendo eu já veterano. Vagamente eu sempre sentira que os fatos eram milagres no sentido de que eram maravilhosos: agora começava a considerá-los milagres no sentido mais estrito de que eram voluntários. Quero dizer que eram, ou pode­riam ser, exercícios repetidos de alguma vontade. Em resu­mo, eu sempre acreditara que o mundo envolvia uma mágica: agora achava que talvez ele envolvesse um mági­co. E isso apontava para uma emoção profunda sempre presente e subconsciente; de que este nosso mundo tem algum propósito; e se há um propósito, há uma pessoa. Eu sempre sentira a vida primeiro como uma história; e se há uma história há um contador da história.